Israel ataca hospital em Gaza, matando 20 pessoas, incluindo cinco jornalistas internacionais.

O Ministério da Saúde controlado pelo Hamas em Gaza informou que pelo menos 20 pessoas foram mortas em dois ataques israelenses ao Hospital Nasser em Khan Younis, no sul de Gaza. Entre as vítimas estavam cinco jornalistas que trabalhavam para veículos de comunicação internacionais, incluindo Reuters, Associated Press (AP), Al Jazeera e Middle East Eye.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que quatro membros da equipe médica também foram mortos. Imagens do local mostraram o segundo ataque ocorrendo enquanto equipes de resgate corriam para ajudar as vítimas do primeiro ataque.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou o incidente como um "erro trágico" e afirmou que os militares estão conduzindo uma "investigação minuciosa".

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Grandes perdas entre jornalistas

As mortes mais recentes elevam para quase 200 o número de jornalistas mortos em Gaza desde o início da guerra, em outubro de 2023, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). O CPJ observou que este conflito tem sido o mais letal para jornalistas na história, com mais profissionais da mídia mortos em Gaza nos últimos dois anos do que o total global dos três anos anteriores.

Desde o início da guerra, Israel impede a entrada de jornalistas internacionais independentes em Gaza. Alguns repórteres conseguiram entrar sob controle militar israelense, mas a maioria dos veículos de comunicação internacionais depende fortemente de jornalistas locais para sua cobertura.

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Imagens perturbadoras do local.

Um vídeo de 25 de agosto mostrava um médico na entrada do hospital segurando roupas ensanguentadas para os repórteres quando uma explosão repentina estilhaçou vidros e fez a multidão fugir. Um homem ferido foi visto se arrastando em direção a um local seguro.

Outra transmissão ao vivo da Al-Ghad TV mostrou equipes de resgate e jornalistas no telhado do hospital documentando as consequências do primeiro ataque. De repente, uma segunda explosão atingiu a área em cheio, cobrindo o local com fumaça e destroços. Pelo menos um corpo era visível após a explosão.

A Reuters confirmou que seu fotógrafoHusam al-Masrifoi morto enquanto transmitia ao vivo do telhado. Outro fotógrafo da Reuters,Hatem Khaled, ficou ferido no segundo golpe.

A AP informou que seu jornalista freelancerMariam Dagga, de 33 anos, também morreu no ataque. Outras vítimas incluíam os funcionários da Al Jazeera.Mohammad Salama, freelancer do Middle East EyeAhmed Abu Azize fotógrafoMoaz Abu Taha, que já havia trabalhado com diversos veículos de comunicação, incluindo a Reuters.

A Reuters disse estar "profundamente triste" e que buscava informações adicionais com urgência. A AP expressou "choque e pesar" pela morte de Dagga.

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Impacto Médico e Humanitário

A Defesa Civil controlada pelo Hamas afirmou que um de seus membros também foi morto. Um funcionário da organização beneficente britânica Ajuda Médica para os Palestinos,Hadil Abu Zaid, descreveu estar dentro da unidade de terapia intensiva quando a explosão sacudiu a sala de cirurgia ao lado.

“Havia vítimas por toda parte”, disse ela, descrevendo a cena como “insuportável”.

Os ataques desencadearam indignação internacional. Secretário-Geral da ONUAntónio GuterresEle afirmou que os assassinatos ressaltam os riscos extremos enfrentados por jornalistas e profissionais da saúde durante o conflito. Ele pediu uma “investigação rápida e imparcial” e exigiu um “cessar-fogo imediato e permanente”.

chefe da UNRWAPhilippe LazzariniO secretário de Relações Exteriores do Reino Unido condenou as mortes, afirmando que se tratava de uma tentativa de "silenciar as últimas vozes que denunciavam crianças morrendo silenciosamente de fome".David LammyEle disse estar "chocado", enquanto o presidente francêsEmmanuel Macronclassificou as greves como “intoleráveis”.


Aumento do número de vítimas humanas

Este incidente ocorreu após outro ataque duas semanas antes, quando seis jornalistas, incluindo quatro da Al Jazeera, foram mortos perto do Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza.

No mesmo dia do ataque ao Hospital Nasser, o Ministério da Saúde de Gaza informou que 58 corpos de vítimas de ataques israelenses foram levados para hospitais, e acredita-se que muitos outros estejam presos sob os escombros.

Entre os mortos, 28 pessoas foram baleadas enquanto aguardavam socorro em pontos de distribuição de alimentos. Os hospitais também registraram 11 mortes por desnutrição, incluindo duas crianças. No total, 300 pessoas — 117 delas crianças — teriam morrido por causas relacionadas à fome durante a guerra.


Contexto do conflito

A guerra em curso foi desencadeada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e resultou na tomada de 251 reféns em Gaza. Israel respondeu com uma ofensiva militar massiva.

Segundo dados verificados pela ONU e provenientes do Ministério da Saúde de Gaza, mais de62.744 palestinosforam mortos desde então.

 

 

Fonte do artigo:BBC


Data da publicação: 27/08/2025

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